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Carne de Porco Alentejano – DOP

DENOMINAÇÃO DE ORIGEM PROTEGIDA

 

A Carne de Porco Alentejano obtém-se por desmancha de carcaças de porcos de raça alentejana (Sus Ibericus), abatidos entre os 8 e os 14 meses de idade, inscritos no Livro Genealógico Português de Suínos - Secção Raça Alentejana, ou no Livro de Nascimentos, sendo portanto filhos de pai e mãe inscritos no Livro Genealógico ou no Registo Zootécnico da raça, nascidos, criados e abatidos na área geográfica adiante delimitada e com as características constantes deste Caderno de Especificações.

O porco da raça alentejana tem corpulência média-pequena, esqueleto aligeirado, grande rusticidade e temperamento vivo. A pele é preta ardósia, com cerdas raras, finas, de cor preta, aloirada ou ruiva. A cabeça é comprida e fina com ângulo frontonasal pouco acentuado, orelhas relativamente pequenas e finas dirigidas para diante de forma triangular e com a ponta ligeiramente lançada para fora. O pescoço é de comprimento médio e regularmente musculado. Os membros são de comprimento médio, delgados e bem aprumados, terminando por pés de unha rija. O porco da raça alentejana tem andamentos ágeis e elásticos. Em relação às características sexuais, o macho tem os testículos bem salientes do períneo e medianamente volumosos. A fêmea tem mamilos em número não inferior a cinco de cada lado regularmente distanciados e salientes. A idade de reprodução é atingida aos oito meses e o tamanho das ninhadas em linha pura é de seis leitões por porca. Não se tratando de uma raça precoce, os leitões só podem ser desmamados aos quarenta e cinco dias quando têm cerca de doze quilos de peso vivo.

Devido às suas características pedológicas, climáticas e de altitude, desenvolveu-se, na parte sudoeste da Península Ibérica, um sistema agro-silvo-pastoril peculiar: o montado. Este sistema ecológico, único no mundo, caracteriza-se pela existência de extensões arbóreas de quercíneas, flora do tipo xerófito e estrato herbáceo condicionado pela escassa pluviometria.

Consoante a espécie dominante, os montados podem ser de sobro (Quercus suber), de azinho (Quercus rotundifolia) ou mistos, incluindo ambas as espécies. A sua distribuição geográfica varia do litoral para o interior, uma vez que o oceano Atlântico, ao influenciar as condições climáticas, funciona como condicionante das espécies ocorrentes, predominando o sobreiro (Quercus suber) mais a Oeste e a azinheira (Quercus rotundifolia) mais a Este.

A conhecida paisagem arbórea de azinheiras e sobreiros, própria do Sul do nosso país, caracterizada por uma topografia ligeiramente ondulada, com um subsolo pedregoso e um solo com uma fertilidade reduzida, tem como principal vocação o aproveitamento silvo-pastoril. No sob coberto desenvolve-se uma vegetação escassa e espontânea que os suínos aproveitam na sua alimentação. Este sistema ecológico contribui para a manutenção do solo evitando a sua erosão e, simultaneamente, permite a obtenção de um recurso alimentar de grande importância: a bolota.

O porco alentejano é, por excelência, o melhor utilizador dos frutos do montado e o que mais eficientemente os converte em carne. Este exemplar aproveitamento de um recurso natural, associado às características metabólicas próprias desta raça, determina a formação de uma matéria-prima de características únicas, intimamente associada ao meio geográfico particular, constituindo a base fundamental da alimentação de toda uma população, quer quando é consumida em fresco, sendo assim designada por Carne de Porco Alentejano, quer servindo como matéria-prima para a elaboração de produtos diversos de salsicharia como o Presunto de Barrancos, Santana da Serra, Alentejo e os diversos enchidos de Portalegre, de Barrancos, de Estremoz e Borba e tantos outros de reputação feita e merecida.

O Porco da Raça Alentejana encontrou assim, desde remotas épocas, o seu habitat natural no Montado Alentejano.